QUATRO
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Cobra Honorato Filho
A LENDA DO FILHO DE COBRA GRANDE CONTINUA
A história passou e não falei muito do protagonista. Cobra Honorato é um dos personagnes que mais gosto do folclore brasileiro, de acordo com a lenda ele é filho de uma índia Tapuia com o Cobra Grande e tinha uma irmã chamada Maria Caninana. Por causa da maldição, segundo a lenda, ela se converteu ao cristianismo e deu aos filhos gêmeos os nomes de Honorato e Maria.
Enquanto Norato, como era mais conhecido, era uma pessoa boa e gentil, Maria era perversa e má. Segundo a lenda ele enfrentava criaturas monstruosas dos rios e ajudava as pessoas, mas sua maldição o fazia ser obrigado a "vestir" novamente o couro de uma sucuri e a errar pelos rios. Maria, que não aceitava sua condição, se tornou cada vez mais violenta e assassina resultando em uma luta mortal entre os irmãos. Cobra Norato perdeu o olho, e Maria Cainana a vida. Parece que depois de matar a irmã ele se tornou deprecivo e triste. Já não suportava mais o fardo que carregava. Felizmente, sua maldição foi quebrada graças a coragem de um soldado da cidade de Cametá que colocou leite de mulher na boca da serpente e partiu a cabeça do réptil com sua espada. A partir daí Norato, como era mais conhecido, passou a viver uma vida normal e se tornou também um soldado da cidade.
A lenda conta a história até aí, em Tupanaoca, para a criação do personagem Cobra Honorato trabalhei com algumas hipóteses:
- E se Cobra Norato, depois que a maldição fosse quebrada tivesse se casado e tido filhos? Isso não seria incomum.
- E se o filho herdasse o sangue do pai?
- Cobra Grande é o pai de Cobra Norato, como ele reagiria com o afastamento dos filhos?
- E se um filho de Cobra Norato aceitasse a maldição da família?
Existem lendas que dizem da aparição de Cobra Honorato cujas datas não coincidem com alguém que viveu e morreu no passado, como a luta que teve de 100 dias e 100 noites contra a Piraíba do Rio Amazonas que se alimentava de crianças e foi expulsa para o Rio Trombetas.
Estes "causos" me fez imaginar que existem muitas histórias não contadas a respeito do herói e que deveriam ser exploradas. Outras informações sobre Cobra Honorato e outros personagens é só visitar o Menu deste site. Espero que se divirtam!
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Zaoris: Além do Seu Olhar
Quem quer ver além do alcance?
Poderes paranormais sempre fizeram parte da mitologia de
diversos povos. Telepatia, teletransporte, mediunidade, telecinesia, radiestesia, zahorí e muitos outros dons que fariam qualquer mutante da Marvel feliz da vida. Não
só da Marvel e DC, mas também dos mangás japoneses.
Alguém lembra do personagem Sasuke do anime Naruto? Ele possuía
olhos mágicos chamados de sharingan que o permitia copiar o que uma outra pessoa
fizesse apenas olhando. Este princípio foi usado no “olho do leão” de Régulus,
personagem do mangá Cavaleiros do Zodíaco – Lost Canvas. Uma mulher também já
teve olhos especiais e o nome dela é Aya Natsumi do mangá Tenjho Tenge. Era o Ryugan, os olhos do
dragão. Quem tinha o Ryugan podia ver o passado, presente, os futuros possíveis e
até ver e ouvir os mortos.
Ter uma “visão além do alcance” significa obter uma vantagem
significativa sobre os outros mortais. Talvez seja por isto que a lenda do
Zaori seja tão interessante. O zaori é uma lenda árabe trazida para o Brasil na época da colonização durante o ciclo das pedras preciosas. A lenda é forte na região do Rio da Prata, no Rio Grande do Sul. Lembra estes
gurus que tem uma pedra como se fosse o terceiro olho? Pois é, é uma variação
do Zaori. A definição de zaori mais comum que se encontra na internet é que “Todos
aqueles que nascem em uma sexta-feira da Paixão são zaoris. Têm o aspecto de
homens comuns. Seus olhos, porém, são muito brilhantes, de um brilho mágico,
misterioso. Possuem o poder de ver através de corpos opacos, terras ou
montanhas, assim conseguindo localizar tesouros escondidos. Barras de ouro ou
prata, jóias, pedras preciosas, armas raras, nada escapa ao olhar mágico destes
seres, mesmo que esteja enterrado sob vinte metros de terra.”
Vendo esta definição e analisando o folclore de pessoas que leem
cartas, mãos, e enxergam o futuro acabei chegando a uma conclusão sobre o
Zaori que é o que será usado nas histórias de Tupanaoca: o zaori é o olho da
verdade. O que você quer ver? Você quer ver ouro na montanha? Quem tem o zaori
tem a capacidade de olhar o lugar e ver a verdade se há ou não ouro no lugar.
Você quer ver o que pode acontecer no futuro se seguir um determinado caminho?
O zaori mostra se aquilo é verdade ou não.
Para uma história, esta concepção traz um leque muito
interessante de possibilidades a serem exploradas e ao mesmo tempo não foge da
tradição folclórica dos adivinhos do interior. Dia 20 de junho, estão
convidados para ver como isto funciona na história em quadrinhos de Tupanaoca.
Será ler e se divertir.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
Um Monstro Chamado Minhocão
Olhe lá no rio! É um verme? É um peixe? É uma cobra?... Não, é o Minhocão!
Se alguém te perguntar: “Já ouviu falar da lenda do
minhocão?” o que você vai responder?
Alternativa 1 - “Já. Minhocão é o viaduto da minha cidade”.
Alternativa 2 - “Já, minhocão é o nome dado ao trenzinho da alegria onde a Cuca, o Fofão e a Emília chamavam as crianças para passear”.
Alternativa 3 - “Já, minhocão é o minhocuçu grande. Destes que a gente usa como isca para pescar. Só que é ele que pesca a gente.”
... Tempo...
Alternativa 1 - “Já. Minhocão é o viaduto da minha cidade”.
Alternativa 2 - “Já, minhocão é o nome dado ao trenzinho da alegria onde a Cuca, o Fofão e a Emília chamavam as crianças para passear”.
Alternativa 3 - “Já, minhocão é o minhocuçu grande. Destes que a gente usa como isca para pescar. Só que é ele que pesca a gente.”
... Tempo...
Se escolheu uma das respostas acima, lamento muito! Nenhuma
destas alternativas tem haver com o folclore do Brasil. Minhocão original tem
haver com a lenda indígena da “piramboia” que é traduzido como “peixe-cobra”.
Ou melhor: o minhocão seria na verdade uma piramboia de tamanho descomunal que
rasga a terra por onde passa e é capaz de virar grandes embarcações.
Câmara Cascudo, certamente um dos mais renomados
pesquisadores do folclore brasileiro escreveu que o “Minhocão, do ciclo da
Cobra Grande, da Boiúna amazônica, é o monstro que povoa de mistérios as águas
do Rio São Francisco. Tem a aparência de um minhocão molenga e feroz, sem fazer
favores como a Mãe-d’água e o Caboclo do rio. Persegue para comer, vira barcos
espalhando pavores. O minhocão explica fenômenos naturais de erosão. As
barrancas do rio, cortadas a pique, escavações fundas, covas circulares que lembram
bocas de túneis, terras afundadas subitamente pelo solapamento das bases
submersas.”
Existem referências do Minhocão de norte ao sul do Brasil,
especialmente a região da Bacia do Rio Amazonas, Rio Paraná e Rio São Francisco.
O minhocão muda de aparência de região para região, a semelhança está na ação
destrutiva do monstro que confirma sua vocação irracional e violenta. Há uma
lenda em Cuiabá que a criatura vive no poço do Rio Cuiabá e ataca barcos à
noite quando fica com raiva, derruba barrancos e casas que ficam nas encostas.
Encontrei referências que conta uma história de um peixe
semelhante a um surubim que perdeu as nadadeiras e subiu à terra firme para
viver no barro, ou seja, virou uma piramboia. É esta referência que foi usada
na criação do monstro no episódio primeiro de Tupanaoca, um monstro com uma
aparência mais parecida com um peixe do que um verme.
Você poderá conferir o monstro em ação no dia Vinte de Junho,
data do lançamento da história em quadrinhos Tupanaoca aqui no site. Todos estão
convidados.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Cristo e o Diabo na Terra
Pé de Deus e Pé do Diabo
"Contam os antepassados que o rastro de um pé humano em um lajeiro do Bairro Rosário, é o Pé de Deus, pois Jesus na sua caminhada pelo mundo, por ali passou. O Cão, o demônio que sempre o perseguiu veio veio atrás e lá também deixou a sua pegada. O Pé do Cão é redondo, mas ninguém o vê, porque está sempre coberto de pedras atiradas pelos visitantes como sinal de protesto e rejeição, enquanto no Pé de Deus, colocam-se flores e velas."
Segundo a lenda, as marcas das pegadas estão afundadas na rocha. Infelizmente o chamado "Pé do Diabo" está enterrado sob uma montanha de pedras. Como sou curioso, creio que seria legal se fosse possível ver também a marca "do cão". Turisticamente falando, creio que seria mais divertido.
Seja como for, um pouco desta história lendária será citada em quadrinhos no dia 20 de junho, neste blog.
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quinta-feira, 30 de maio de 2013
Primeira Postagem
Olá.
O século passado foi logo ali. Acreditem, na década de
sessenta e setenta a metade dos municípios do Brasil não tinham ainda luz
elétrica e eram iluminados por geradores ou por lampiões e lamparinas de
querosene. Quem nasceu nos anos setenta, ou antes, tem muito que contar de como
o mundo era visto naquela época. O rádio era o melhor meio de comunicação com o
mundo e os casos ao pé do fogo, nas noites frias, eram as novelas e séries da
época.
Eu nasci em uma cidade bem estruturada, mas tive em minha
infância a oportunidade de ouvir muitas histórias no interior de Minas, terra da
minha mãe, e talvez seja por isso que eu gosto tanto do folclore e seus
mistérios. De certa forma eu vivi isso quando jovem. Como escoteiro ou com meus
primos e amigos do interior, incontáveis noites já caminhei sem qualquer tipo
de luz por trilhas e estradas de terra. Acampei muitas vezes. Dormi muitas
vezes em fazendas. Já joguei futebol na chuva, ou sob a luz da lua cheia. Já
pesquei à noite com o rio cheio. Por isso digo que quem já caminhou em uma
noite de verdade sabe que é algo diferente. Todos os seus sentidos precisam se
ampliar para você não ser surpreendido por um buraco ou algum obstáculo
natural. Seu coração bate diferente. Seus ouvidos também precisam ouvir o que
está em volta. Você precisa ficar menos distraído e desligar os inúmeros
pensamentos de sua mente que são inúteis diante da escuridão.
Escutar o som da noite, sentir o cheiro do capim, ver o céu
limpo... São sensações maravilhosas que, não importa o quanto o tempo passe
vivendo em cidade, você jamais esquece. Você também não se esquece dos seus
medos de quando você é criança. O som de um inseto em uma noite realmente
escura é ameaçador, afinal, você não sabe que bicho que é. Seria ele grande,
pequeno, venenoso? São estas sensações que, acredito eu, seja a matriz para a
criação das lendas em uma época em que não havia tantas estradas, tanta
tecnologia e tanta comodidade. Diz uma das lendas sobre os Sacis que eles
nascem em bambuzais. Eu já tive a oportunidade de entrar em um bambuzal muito
grande à noite e posso dizer que é assustador! Não passa um raio de luar por
entre as folhas. É realmente um lugar ideal para a morada de um saci.
Na cidade grande, não temos medo de sacis. Temos medo é de
trapaceiros, malucos sob o efeito de drogas e assaltantes com armas de
fogo. Uma realidade muito chata na minha
opinião. Com sacis, tínhamos a sensação gostosa do imponderável e do mistério.
Com ladrões, não há mistério algum, apenas a sensação de ódio e revolta de você
não poder fazer nada com eles do que eles fazem com a gente. Vivemos sob a
regra de ser assaltados, chamar a polícia, fazer um Boletim de Ocorrência e
virar mais um número na estatística da violência urbana. Vida muito chata.
É por isso que estou inaugurando este espaço. Para falar um
pouco sobre lendas, folclore, quadrinhos, etc. Dois amigos meus me marcaram com
o mesmo discurso: O Eustáquio, da faculdade e o Henrique, do blog cultura pop.
Da maneira deles eles me disseram que quando eu fosse ler ou assistir um filme
ou algo assim deveria fugir do pensamento comum de que tudo tem que ser “o mais real possível”. A realidade já está a
nossa volta, basta ler um jornal ou dar uma volta na rua. Concordo com eles.
Quem quiser realidade visite o G1, o R7, ou o site da Veja. Quem quer se
divertir, conhecer um pouco dos “causos” do interior, do folclore e ainda falar
de cultura pop, quadrinhos e afins, TUPANAOCA é o seu lugar.
Desejo que aqui seja o espaço certo para conversar com
outros blogueiros, mostrar o projeto Tupanaoca de quadrinhos, e falar sobre
folclore, lendas urbanas e criar ideias para novas histórias.
Seja bem vindo. Espero que se divirta.
Frederic Assis Spekman – Maio/2013
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