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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Depois de um longo inverno, Chegou!

SIM, EU RECEBI A CONEXÃO NANQUIM IMPRESSA
E AGORA, OS COMENTÁRIOS:

Ontem, depois de longa espera, recebi em casa o exemplar impresso da Conexão Nanquim. Logo de cara, ao ler a matéria do Silver, ficou claro que a proposta da revista era fazer uma edição impressa da revista virtual na forma de um especial onde as séries mais comentadas fariam parte de um compilado inédito. Neste quesito a revista cumpre o que promete, as histórias selecionadas são exatamente aquilo que quem acompanha as histórias virtuais estão acostumados. Talvez a grande diferença esteja nos autores na forma como eles aproveitaram o espaço. Creio que Punch&Money de Jefferson Ferreira, Egoman de Rafael Santos e Pirates de Yuri Landim foram os que melhor se adaptaram ao formato impresso. 

Senti falta de um melhor cuidado da diagramação de algumas páginas, em algumas delas os balões estão tão próximos das margens que é necessário ter cuidado ao ler para não descolar a revista. 

Como sugestões para uma futura tentativa eu recomendaria utilizar os espaços brancos da segunda e terceira capas, já que a intenção é dar um aspecto de revista é importante não haver vazios, ainda mais quando se tem tantos artistas interessantes como a Conequim e muitos deles nem foram citados ou utilizados. 

Uma coisa que também não recomendaria é a “propaganda” mesmo que de séries da Conequim em um encadernado porque se corre o risco de acontecer exatamente o que aconteceu. Um encadernado é fruto de um momento, sou de opinião que uma revista como esta deva ter o projeto mais atemporal possível. A revista Conexão Nanquim virtual nem existe mais, as histórias são publicadas agora em forma de escala, ou seja, o momento é outro. Seria interessante substituir isso, por exemplo, por artes de outros autores que fazem parte da Conequim, mas não fizeram parte do grupo selecionado para publicar histórias. É uma maneira de valorizar quem colabora.

No mais, estou certo que a iniciativa é extremamente válida e que tudo foi uma experiência excelente para o amadurecimento do grupo Conexão Nanquim. Sei também que algumas pessoas devem bater forte no trabalho que o grupo fez, outros vão dar o seu apoio, mas os editores não devem esquecer que trabalho bom é trabalho pronto, eles terminaram o trabalho e o entregaram. Estão de parabéns por isso. Portanto é justo eu deixar aqui os meus votos de sucesso a toda a equipe da edição e seus artistas desejando que sigam em frente e que tenham uma boa sorte!

E, para quem quer conhecer a Conexão Nanquim, basta clicar >>>AQUI.<<<

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

As Faces de Cobra-Grande

AMIGO? INIMIGO? DEUS? DEMÔNIO? QUEM É O COBRA-GRANDE NO MUNDO

O mito de Cobra-Grande talvez seja o mais antigo e enraizado da cultura mundial, é um mito que se espalha ao redor do mundo passando desde a mitologia Nórdica, onde a Serpente de Midgard chamada Jormungand está destinada a matar e morrer na luta contra o deus Thor no Ragnarok; passando pela religião africana, onde Oxumarê desce dos céus em forma de arco-íris e bebe a água dos rios causando grandes secas se tornando o Deus/Deusa que controla a estação das secas e das chuvas; passando também pela bíblia onde, como o mais astuto dos animais se divertiu às custas e Eva e Adão resultando na expulsão da ambos do Paraíso, na Austrália com a lenda dos rios e chegando finalmente a América do Sul onde Cobra-Grande ocupa o maior destaque das lendas.

Segundo uma das lendas guaranis, Cobra-Grande, filho de Tupã antigamente era uma Mboiguaçú comum, mas subiu o Rio Amazonas e retornou como Cobra-Grande. Como existem várias lendas a respeito deste ser, vale a pena colocar aqui o fato de Cobra-Grande ser o próprio Rio Amazonas onde a cabeça se encontra em sua foz (Ilha de Marajó) e sua calda em sua nascente, na região do Peru. Por este motivo o Cobra-Grande é chamado pelos nativos de "Amaru Mayu" ou "A Serpente Mãe do Mundo". No folclore Viracocha, Cobra-Grande é destacado em duas poderosas faces: Jacumama, a serpente em forma de relâmpago que corta o céu e a terra e Sachamama, a serpente de duas cabeças em forma de Arco-Íris que liga Céu, Terra e Inferno sendo o responsável pelo equilíbrio do bem e do mal no mundo.

Nas histórias de Tupanaoca, Cobra-Grande é isto, a face do poder bruto da natureza que percorre o mundo e que tem sua casa nas florestas brasileiras, um ser de muitos filhos dotado de grande poder, indomável que só segue a si mesmo e aos seus objetivos. Para uns será um deus, para outros um demônio, e para quem o conhece uma criatura com um comportamento nem mais e nem menos que humano.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dia do Folclore Nacional

DEVEMOS COMEMOARAR? SIM, POR QUE NÃO?


Feliz dia do folclore para todos! E, como não poderia deixar de ser, vamos falar de forma bastante breve sobre duas HQs que tratam sobre o assunto:

Primeiramente: Salomão Ventura, o Caçador de Lendas. Tive o primeiro contato com este trabalho do autor Giorgio Galli ainda no site da Oi há bastante tempo, quando aquela empresa tinha um projeto bem legal para a divulgação de quadrinhos. Infelizmente a ideia morreu, mas o Giorgio, como bom brasileiro e que não desiste nunca, usou as quatro páginas que havia colocado para o concurso local como propaganda de seu personagem levando os leitores ao mundo sombrio do Caçador de Lendas Salomão Ventura. O Salomão é uma figura sombria, misteriosa e que usa de magia para interagir com as criaturas mágicas de nosso folclore, ele me lembra até um pouco, dada as devidas proporções ao John Constantine (Hellblazer). No blog com o link do Giorgio é possível ver que o projeto continua a pleno vapor e que a próxima edição com 80 páginas e trazendo a Cuca já está em andamento. Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho impresso do autor é só clicar >>>AQUI!<<<

E agora: Projeto Folks. Folks é um projeto independente do artista Fabio Dino. Ele tem uma abordagem muito legal sobre o folclore trazendo as aventuras da mata para a zona urbana. Toda semana é publicado em seu blog uma nova página e, com o passar do tempo, histórias fechadas vão surgindo. Recentemente uma temporada se fechou e, pelo andar da história, vamos compreendendo uma teia de conspirações se fechando com novos e poderosos vilões aparecendo. Uma das grandes sacadas do Dino foi brincar com a palavra Folclore dividindo o ranking de seres de seu mundo entre os Folks e os Lores. Até onde isto vai dar é difícil saber, mas o fato é que o carisma de seus personagens como o Kuru, a Iara, o Saci e o Negrinho do Pastoreiro nos convidam a continuar a cada semana procurando uma novidade e desejando a continuidade da história. Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do Fábio Dino é só clicar >>>AQUI!<<<

E, sobre o projeto Tupanaoca, ele está em andamento e a segunda história está sendo desenhada aos poucos, digamos que 1/3 das páginas deste episódio já estejam desenhadas, possivelmente devo escolher alguma das páginas desenhadas para postar por aqui na semana que vem.

Por enquanto, é só.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Estudo de Personagens

ARTEMIS, 5 ANOS!


A produção de Tupanaoca sempre foi muuuuito devagar. O mesmo acontece com a criação de seus personagens. Creio que a definição do universo da história e o comportamento dos seus protagonistas deve ser sempre equilibrado de modo a permitir que se possa explorar a maior quantidade de possibilidades possíveis. Ártemis é uma destas personagens, em 2009, ainda com um modo de escanear e de finalização bem diferente do que usei nesta última história, fiz o primeiro esboço da personagem. Ela nem se chamava Ártemis na época, o seu nome era Alexandrita. O visual lembrava um pouco o de cigana, na época a ideia era de uma donzela independente e experiente, apesar de jovem. Talvez eu ainda use em algum momento esta concepção da personagem em algum arco, já que o visual para a personagem ainda acho interessante.

Em 2010, ainda definindo o nome como Amanda ou Ártemis, surgiu esta nova versão da personagem. Coube a minha esposa/editora definir o nome final como Ártemis e exigir mudanças no visual da personagem já que estava "piriguete" demais. Fiz alguns outros estudos até surgir a Ártemis que usava esta roupa verde ao lado. Ela era mais baixa, mais infantil e menina. Gostei do estilo dela, mas a roupa ainda estava pouco comportada.

Fiz vários outros estudos até chegar ao visual atual usado na história, a única coisa que mudou com relação a versão passada foi mesmo a roupa, já que o cabelo castanho e encaracolado acabou virando marca para a personagem além de ser sardenta e ter os olhos grandes. Este visual agradou mais a minha editora, já que, na visão dela, não existem muitos personagens com o cabelo assim. Aliás, acho que não lembro de nenhuma de cabeça...

A arte de criar é assim... Devagar e sempre!





quinta-feira, 13 de junho de 2013

Zaoris: Além do Seu Olhar


Quem quer ver além do alcance?


Poderes paranormais sempre fizeram parte da mitologia de diversos povos. Telepatia, teletransporte, mediunidade, telecinesia, radiestesia, zahorí e muitos outros dons que fariam qualquer mutante da Marvel feliz da vida. Não só da Marvel e DC, mas também dos mangás japoneses.

Alguém lembra do personagem Sasuke do anime Naruto? Ele possuía olhos mágicos chamados de sharingan que o permitia copiar o que uma outra pessoa fizesse apenas olhando. Este princípio foi usado no “olho do leão” de Régulus, personagem do mangá Cavaleiros do Zodíaco – Lost Canvas. Uma mulher também já teve olhos especiais e o nome dela é Aya Natsumi  do mangá Tenjho Tenge. Era o Ryugan, os olhos do dragão. Quem tinha o Ryugan podia ver o passado, presente, os futuros possíveis e até ver e ouvir os mortos.

Ter uma “visão além do alcance” significa obter uma vantagem significativa sobre os outros mortais. Talvez seja por isto que a lenda do Zaori seja tão interessante.  O zaori é uma lenda árabe trazida para o Brasil na época da colonização durante o ciclo das pedras preciosas. A lenda é forte na região do Rio da Prata, no Rio Grande do Sul. Lembra estes gurus que tem uma pedra como se fosse o terceiro olho? Pois é, é uma variação do Zaori. A definição de zaori mais comum que se encontra na internet é que “Todos aqueles que nascem em uma sexta-feira da Paixão são zaoris. Têm o aspecto de homens comuns. Seus olhos, porém, são muito brilhantes, de um brilho mágico, misterioso. Possuem o poder de ver através de corpos opacos, terras ou montanhas, assim conseguindo localizar tesouros escondidos. Barras de ouro ou prata, jóias, pedras preciosas, armas raras, nada escapa ao olhar mágico destes seres, mesmo que esteja enterrado sob vinte metros de terra.”

Vendo esta definição e analisando o folclore de pessoas que leem cartas, mãos, e enxergam o futuro acabei chegando a uma conclusão sobre o Zaori que é o que será usado nas histórias de Tupanaoca: o zaori é o olho da verdade. O que você quer ver? Você quer ver ouro na montanha? Quem tem o zaori tem a capacidade de olhar o lugar e ver a verdade se há ou não ouro no lugar. Você quer ver o que pode acontecer no futuro se seguir um determinado caminho? O zaori mostra se aquilo é verdade ou não.

Para uma história, esta concepção traz um leque muito interessante de possibilidades a serem exploradas e ao mesmo tempo não foge da tradição folclórica dos adivinhos do interior. Dia 20 de junho, estão convidados para ver como isto funciona na história em quadrinhos de Tupanaoca. Será ler e se divertir.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Um Monstro Chamado Minhocão


Olhe lá no rio! É um verme? É um peixe? É uma cobra?... Não, é o Minhocão!

Se alguém te perguntar: “Já ouviu falar da lenda do minhocão?” o que você vai responder?

Alternativa 1 - “Já. Minhocão é o viaduto da minha cidade”.
Alternativa 2 - “Já, minhocão é o nome dado ao trenzinho da alegria onde a Cuca, o Fofão e a Emília chamavam as crianças para passear”.
Alternativa 3 - “Já, minhocão é o minhocuçu grande. Destes que a gente usa como isca para pescar. Só que é ele que pesca a gente.”

... Tempo...

Se escolheu uma das respostas acima, lamento muito! Nenhuma destas alternativas tem haver com o folclore do Brasil. Minhocão original tem haver com a lenda indígena da “piramboia” que é traduzido como “peixe-cobra”. Ou melhor: o minhocão seria na verdade uma piramboia de tamanho descomunal que rasga a terra por onde passa e é capaz de virar grandes embarcações.

Câmara Cascudo, certamente um dos mais renomados pesquisadores do folclore brasileiro escreveu que o “Minhocão, do ciclo da Cobra Grande, da Boiúna amazônica, é o monstro que povoa de mistérios as águas do Rio São Francisco. Tem a aparência de um minhocão molenga e feroz, sem fazer favores como a Mãe-d’água e o Caboclo do rio. Persegue para comer, vira barcos espalhando pavores. O minhocão explica fenômenos naturais de erosão. As barrancas do rio, cortadas a pique, escavações fundas, covas circulares que lembram bocas de túneis, terras afundadas subitamente pelo solapamento das bases submersas.”

Existem referências do Minhocão de norte ao sul do Brasil, especialmente a região da Bacia do Rio Amazonas, Rio Paraná e Rio São Francisco. O minhocão muda de aparência de região para região, a semelhança está na ação destrutiva do monstro que confirma sua vocação irracional e violenta. Há uma lenda em Cuiabá que a criatura vive no poço do Rio Cuiabá e ataca barcos à noite quando fica com raiva, derruba barrancos e casas que ficam nas encostas.

Encontrei referências que conta uma história de um peixe semelhante a um surubim que perdeu as nadadeiras e subiu à terra firme para viver no barro, ou seja, virou uma piramboia. É esta referência que foi usada na criação do monstro no episódio primeiro de Tupanaoca, um monstro com uma aparência mais parecida com um peixe do que um verme.

Você poderá conferir o monstro em ação no dia Vinte de Junho, data do lançamento da história em quadrinhos Tupanaoca aqui no site. Todos estão convidados.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cristo e o Diabo na Terra

Pé de Deus e Pé do Diabo

Oieras é uma cidade do interior do Piauí fundada no século XVII em uma empreitada da coroa portuguesa em afastar a criação bovina da cultura de cana-de-acúcar na época. A cultura da cana deveria ficar mais próxima do litoral, por ser mais lucrativa. Por ser uma cidade antiga e de muita história, Oieras tem muitas lendas interessantes, uma delas é a do chamado "pé de Deus e pé do Cão" ou "Pé de Deus e é do Diabo" como preferirem.

"Contam os antepassados que o rastro de um pé humano em um lajeiro do Bairro Rosário, é o Pé de Deus, pois Jesus na sua caminhada pelo mundo, por ali passou. O Cão, o demônio que sempre o perseguiu veio veio atrás e lá também deixou a sua pegada. O Pé do Cão é redondo, mas ninguém o vê, porque está sempre coberto de pedras atiradas pelos visitantes como sinal de protesto e rejeição, enquanto no Pé de Deus, colocam-se flores e velas."

Segundo a lenda, as marcas das pegadas estão afundadas na rocha. Infelizmente o chamado "Pé do Diabo" está enterrado sob uma montanha de pedras. Como sou curioso, creio que seria legal se fosse possível ver também a marca "do cão". Turisticamente falando, creio que seria mais divertido. 

Seja como for, um pouco desta história lendária será citada em quadrinhos no dia 20 de junho, neste blog. 

Até lá.

Fontes: Wikipédia e Fantastipédia

sábado, 1 de junho de 2013

Força Sinistra


Como Tirado de um Pesadelo


Quando eu era criança e ouvia casos ao pé do fogo, escutava histórias das noites do interior de Minas, região do Serro, Alvorada e Conceição do Mato Dentro, casos de lobisomem, o cão fantasma da encruzilhada, a cobra voadora e outras. Uma história sobre o cão fantasma (que mais tarde se assemelhou muito a história do cão das doze que li) me intrigou muito na época. Minha tia me contou que meu tio avô que faleceu há anos retornou bêbado da cidade para o campo quando encontrou um grande cachorro branco de olhos vermelhos uma porteira. 

O bicho uivava e babava de raiva e avançou em cima dele. Ele sacou o revolver e tentou descarregar a arma no bicho, mas a arma mascou. Ele pegou a faca e tentou furar o bicho, mas ele entrou dentro da terra e ficou latindo lá de dentro. Segundo a história ele riscou a terra para todo lado e nada de acertar o tal cachorro. De medo ele fugiu e se escondeu em casa chorando a noite inteira. No dia seguinte a arma miraculosamente funcionou perfeitamente. 

Hoje em dia é coisa de se dar risada, afinal, alguém bêbado tendo alucinações de madrugada e não conseguindo nem empunhar uma arma é bem comédia. Mas o interessante deste fato é que já escutei alguns casos de amigos no interior onde a aparição de fantasmas fez com que o carro de um sujeito parar funcionar do nada no meio do mato só voltando a funcionar quando o ser sobrenatural desapareceu, ou acontecesse um blecaute da casa ou na fazenda.

Cheguei então a conclusão que os monstros de nossa mitologia são muito mais assombrosos que os de Hollywood. Imagine você sendo o Batman ou o Homem de Ferro e seus equipamentos eletrônicos e armas simplesmente não funcionarem na presença de uma criatura assim? Seria um pesadelo. É como se os monstros de nosso folclore estivessem envoltos em uma força sinistra que ignora o efeito das criações do ser humano.

"Passa no fogo e não queima
Passa na água e não molha
Tiro de arma não zoa
Faca amolada não corta"

Achei a concepção interessante já que encaixa bem com o xamanismo mágico dos índios e até um pouco com a ideia do "Corpo Fechado" da mitologia afro-brasileira. Há várias histórias de heróis indígenas que tinha "olhos nas costas" para poder ver os inimigos, como na história do velho Juruna Sinaá do livro "Xingu - Os Índios e Seus Mitos" de Orlando e Cláudio Villas Boas. No livro é comum ver transformações em animais, aves e peixes.

Baseado nesta concepção eu tirei a ideia da "Força Sinistra" que faz parte do Universo de Tupanaoca e em sua forma lapidada que seria o conhecimento do "Ayvu Rapyta", a sabedoria dos ciclos dos céus tirado do livro do índio Kaká Werá Jakupé com o título de "A Terra Dos Mil Povos".

Para ver como isso foi usado nas histórias, é só acompanhar os quadrinhos de Tupanaoca que serão publicados neste blog. Espero que seja do agrado de todos.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Primeira Postagem


Olá.

O século passado foi logo ali. Acreditem, na década de sessenta e setenta a metade dos municípios do Brasil não tinham ainda luz elétrica e eram iluminados por geradores ou por lampiões e lamparinas de querosene. Quem nasceu nos anos setenta, ou antes, tem muito que contar de como o mundo era visto naquela época. O rádio era o melhor meio de comunicação com o mundo e os casos ao pé do fogo, nas noites frias, eram as novelas e séries da época.

Eu nasci em uma cidade bem estruturada, mas tive em minha infância a oportunidade de ouvir muitas histórias no interior de Minas, terra da minha mãe, e talvez seja por isso que eu gosto tanto do folclore e seus mistérios. De certa forma eu vivi isso quando jovem. Como escoteiro ou com meus primos e amigos do interior, incontáveis noites já caminhei sem qualquer tipo de luz por trilhas e estradas de terra. Acampei muitas vezes. Dormi muitas vezes em fazendas. Já joguei futebol na chuva, ou sob a luz da lua cheia. Já pesquei à noite com o rio cheio. Por isso digo que quem já caminhou em uma noite de verdade sabe que é algo diferente. Todos os seus sentidos precisam se ampliar para você não ser surpreendido por um buraco ou algum obstáculo natural. Seu coração bate diferente. Seus ouvidos também precisam ouvir o que está em volta. Você precisa ficar menos distraído e desligar os inúmeros pensamentos de sua mente que são inúteis diante da escuridão.

Escutar o som da noite, sentir o cheiro do capim, ver o céu limpo... São sensações maravilhosas que, não importa o quanto o tempo passe vivendo em cidade, você jamais esquece. Você também não se esquece dos seus medos de quando você é criança. O som de um inseto em uma noite realmente escura é ameaçador, afinal, você não sabe que bicho que é. Seria ele grande, pequeno, venenoso? São estas sensações que, acredito eu, seja a matriz para a criação das lendas em uma época em que não havia tantas estradas, tanta tecnologia e tanta comodidade. Diz uma das lendas sobre os Sacis que eles nascem em bambuzais. Eu já tive a oportunidade de entrar em um bambuzal muito grande à noite e posso dizer que é assustador! Não passa um raio de luar por entre as folhas. É realmente um lugar ideal para a morada de um saci.

Na cidade grande, não temos medo de sacis. Temos medo é de trapaceiros, malucos sob o efeito de drogas e assaltantes com armas de fogo.  Uma realidade muito chata na minha opinião. Com sacis, tínhamos a sensação gostosa do imponderável e do mistério. Com ladrões, não há mistério algum, apenas a sensação de ódio e revolta de você não poder fazer nada com eles do que eles fazem com a gente. Vivemos sob a regra de ser assaltados, chamar a polícia, fazer um Boletim de Ocorrência e virar mais um número na estatística da violência urbana. Vida muito chata.

É por isso que estou inaugurando este espaço. Para falar um pouco sobre lendas, folclore, quadrinhos, etc. Dois amigos meus me marcaram com o mesmo discurso: O Eustáquio, da faculdade e o Henrique, do blog cultura pop. Da maneira deles eles me disseram que quando eu fosse ler ou assistir um filme ou algo assim deveria fugir do pensamento comum de que tudo tem que ser  “o mais real possível”. A realidade já está a nossa volta, basta ler um jornal ou dar uma volta na rua. Concordo com eles. Quem quiser realidade visite o G1, o R7, ou o site da Veja. Quem quer se divertir, conhecer um pouco dos “causos” do interior, do folclore e ainda falar de cultura pop, quadrinhos e afins, TUPANAOCA é o seu lugar.

Desejo que aqui seja o espaço certo para conversar com outros blogueiros, mostrar o projeto Tupanaoca de quadrinhos, e falar sobre folclore, lendas urbanas e criar ideias para novas histórias.
Seja bem vindo. Espero que se divirta.


Frederic Assis Spekman – Maio/2013